A MORTE DE CAZUZA, O PRIMEIRO ARTISTA BRASILEIRO A REVELAR TER AIDS

4 de abril de 2021 • Celebridades, Música • Visualizações: 297

Nascido Agenor de Miranda Araújo Neto, o cantor Cazuza tornou-se um dos grandes nomes do rock nacional e, assim como Renato Russo, da Legião Urbana, também foi vítima de complicações causadas pelo vírus HIV – a Aids. A morte de Cazuza aconteceu aos 32 anos, quando ele já estava em carreira solo após deixar o Barão Vermelho.

A doença influenciou as composições do poeta. Na música ‘Ideologia’, por exemplo, ele diz “meu prazer agora é risco de vida” – em uma clara referência à condição de saúde que ele enfrentava naquele momento. Em meio a suspeitas que levantou na época, ele foi a primeira personalidade brasileira a revelar o diagnóstico da doença.

A MORTE DE CAZUZA: DESCOBERTA DA AIDS

Em julho de 1985, Cazuza foi internado com febre e convulsões – que já eram sinais da doença, até então não identificada. Somente dois anos depois, já aos 29 anos, o cantor de ‘Exagerado’ teve o diagnóstico da infecção pelo HIV confirmado.

Era abril de 1987 e ele estava promovendo o segundo álbum da carreira solo, ‘Só Se For A Dois’, quando recebeu a notícia. Relatos de amigos e familiares dão conta de que ele chorou no ombro do amigo e produtor Ezequiel Neves ao saber do diagnóstico.

Apesar disso, Cazuza não parou os planos: deu continuidade aos shows do novo trabalho e seguiu com sua música.

Com essa mudança na vida do cantor, os temas das músicas mudaram. “Ele mesmo dizia que, depois da descoberta da Aids, parou de olhar para o próprio umbigo e passou a cantar o seu país”, contou a mãe dele, dona Lucinha Araújo, em entrevista à revista ‘Rolling Stone’, em 2015.

FALANDO SOBRE A AIDS

Em uma entrevista para a Marília Gabriela, em 1988, Cazuza foi questionado sobre se teria a doença, mas negou e disse apenas que teve uma suspeita. Visivelmente desconfortável com a pergunta, ele gagueja e hesita ao falar desse tema.

“Não estou aidético, não. Eu tive um problema muito sério, uma coisa de pulmão seríssima e estranhíssima, e realmente achei que eu tivesse com Aids e não tinha coragem de fazer o exame, mas agora está tudo legal”, declarou.

“Essa coisa de Aids, de tudo, eu, às vezes, acho que eu devia participar mais [fazer campanhas de conscientização]”, completou.

Depois, ele explicou que, apesar de aprovar a iniciativa de conscientizar, não iria aceitar dizer que a doença é incurável. “Eu acho que a Aids tem cura, eu acho que a Aids não mata. Se me chamassem [para dizer isso], eu iria dizer ‘não’”, acrescentou.

O cantor só revelou a doença para o público no ano seguinte, em fevereiro de 1989, numa entrevista a Zeca Camargo, no jornal ‘Folha de S. Paulo’ – o que o tornou a primeira personalidade brasileira a expor o HIV na mídia.

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