Pacto pela Bombacha é proposto pelo MTG

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12 de abril de 2018 • Destaque, Eventos • Visualizações: 183

Com a paulatina descaracterização da bombacha, visível principalmente em eventos campeiros, o MTG sentiu a necessidade de iniciar um movimento em direção oposta, conscientizando para o uso correto desta peça da indumentária que carrega em si todo simbolismo da identidade gaúcha.

Em ofício emitido Movimento Tradicionalista Gaúcho direcionado aos coordenadores regionais, chamando para o Pacto pela Bombacha. O documento faz referência da necessidade de adequação da indumentária gaúcha, atentando para o fato de que nos últimos anos tem se disseminado o uso de bombachas estreitas, muito parecidas com calça, em total desconformidade com os regulamentos vigentes.

De acordo com o presidente do MTG, Nairo Callegaro, a “polêmica” que se seguiu foi mais conceitual do que de fato. Segundo ele, ao propor o Pacto pela Bombacha o MTG em nenhum momento atuou fora dos seus limites. As características da bombacha enquanto peça oficial da indumentária gaúcha estão definidas por lei, que por sua vez respeita as diretrizes que o Movimento construiu, em amplo debate com os tradicionalistas e alicerçado em pesquisas.

Segundo Callegaro, existe muita desinformação. “Quando um ofício como este chega à sociedade de modo geral, nem todos conseguem identificar que as regras valem para os ambientes oficiais do tradicionalismo, como concursos e eventos de entidades filiadas”. Segundo ele, no ambiente social, cada um se veste como se sentir melhor, como se sentir confortável. A intenção do MTG, garante ele, em nenhum momento é criar constrangimento e essa é a política adotada também nos ambientes oficiais. “Devemos ter bom senso. É preciso que, ao bater o olho, se identifique quando se trata de uma bombacha, mais larga, ou uma calça”, afirma.

O amplo debate sobre a bombacha Callegaro considera positivo. É importante, na sua opinião, que o povo gaúcho olhe para os elementos históricos da identidade regional. A bombacha, garante ele, nos identifica como gaúchos e deve haver um amplo diálogo com a sociedade para que todos entendam a importância de se preservar a peça. “Fala-se sobre a evolução da bombacha, algo que simplesmente não existe”, afirma.

A postura do MTG e dos tradicionalistas, na opinião do presidente, deve ser de orientação. Cada um é livre para se vestir como achar melhor, mas no momento em que começa a participar dos círculos oficiais do Movimento é importante que seja orientado para que use a indumentária gaúcha dentro dos parâmetros, das diretrizes. “O nosso papel é orientador, acolhedor”, afirma. O MTG, pela sua própria razão de existir, deve sim chamar para si a responsabilidade de prestar informações não somente sobre a indumentária, mas sobre todos os elementos que compõem a cultura gaúcha e que são exaustivamente estudados e pesquisados pelos tradicionalistas. “Somos difusores desse conhecimento. Não somos donos, proprietários, mas temos como missão, enquanto movimento, de propagá-lo”, afirma.

Segundo Callegaro, os comentários negativos, em sua maioria, são alicerçados em desconhecimento da história, da cultura, dos usos e costumes do Rio Grande. Segundo ele, muitas pessoas agridem o MTG sem motivo. Nas mídias sociais, afirma o presidente, o MTG tem como diretriz não alimentar discussões. “Estamos aqui porque conhecemos nossa história, a origem da bombacha, suas três vertentes. Pelo Movimento passaram grandes historiadores, estudiosos. Nada do que falamos foi aleatoriamente inventado. Para tudo temos embasamento”, afirma. O conhecimento acumulado e difundido pelos tradicionalistas que fazem o Movimento foi coletado e organizado por grandes pensadores, muitos deles nem tradicionalistas eram.

“O MTG não vai punir ninguém, fiscalizar. Não temos esse caráter”, afirma Callegaro. Segundo ele, estamos vivendo um momento muito peculiar da sociedade e do movimento organizado como um todo. “Estamos perdendo pesquisadores, aqueles sérios, dedicados, que fazem pesquisa de campo e não ficam restritos a revisões bibliográficas”, afirma. Na opinião do presidente do MTG, é preciso recuperar o gosto pelas pesquisas de fato, incentivar o surgimento de novos pesquisadores, trazer para o movimento pessoas pensantes, dispostas a construir.

Algumas diretrizes da bombacha
Tecidos: brim (não jeans), sarja (lã), linho, algodão, oxford, microfibra; Cores: claras ou escuras, sóbrias ou neutras, tais como marrom, bege, cinza, azul-marinho, verde escuro, branca. Fugir das cores agressivas, fosforescentes, contrastantes e cítricas, como vermelho, amarelo, laranja, verde-limão, cor-de-rosa; Padrão: liso, listradinho e xadrez discreto; Modelo: cós largo sem alças, dois bolsos na lateral, com punho abotoado no tornozelo; Largura: com ou sem favos, coincidindo a largura da perna com a largura da cintura.

 

Fonte: Eco da Tradição

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