Os problemas da infância rumo a independência

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31 de agosto de 2017 • Destaque • Visualizações: 388

A infância costuma ser uma fase conturbada devido as peripécias da própria infância. Uma fase onde se quer logo sair quando se é criança e depois de adulto se deseja voltar devido a calmaria e sossego do infantil. Como se pode ver são diferentes formas que o mesmo se manifesta e transforma sempre de acordo com o convívio com os pais. Bom pelo menos assim deveria ser, porém nos dias atuais se vive uma infância da qual nunca se quer sair. E isso implica justamente a relação com os pais. Começa desde o nascimento e o aconchego quando se dorme junto com os pais e se fica numa relação entre a mãe e o bebê como um só. Fase que tende a passar conforme a criança vai ganhando sua individualidade, mas, mais uma vez nos vemos diante de um problema quanto a individualidade própria da criança rumo a independência e a relação de dependência que os pais junto com essa mantêm onde tudo por esta fazem, como se fosse um eterno bebê que precisa de todo cuidado, pois pode ser que se machuque ou …
Este ou é indicativo de diversas problemáticas, sempre estas se passando conforme a forma de organização familiar junto com a criança e o seu desenvolvimento e é claro, a infância dos pais que se reativa de acordo com a vivência com o (a) filho (a). Como dito acima, é comum que depois de um tempo da vida adulta se tenha a vontade de voltar a ser criança, afinal de contas, um tempo sem responsabilidades, preocupações. Tempo onde temos de quem depender. No entanto este tempo passa quando ascendemos a independência, mas da mesma forma que os pais reativam sua infância com a criança, desejam que esta não sofra o que eles sofreram. Todo motivo é motivo para um aconchego a mais. A criança que deveria ir se separando, tendo as coisas próprias se mantêm no quarto dos pais. Como? Dormindo junto com eles. Às vezes convidado pelo pai ou pela mãe ou às vezes por um pedido, um medo real ou um medo inventado mesmo, afinal de contas, o que há de melhor que o aconchego dos pais?
Bom, não é muito estranho na infância que isso aconteça, mas isso se estende além da infância. A mãe se torna como posse da criança, um movimento que tende a acontecer, é esperado que aconteça. A criança tem que ter a quem recorrer diante de seus medos e as dificuldades do desenvolvimento. Mas e quando estas dificuldades não passam e se instalam como um sintoma? Ai a questão é outra, mas a quem isso importa? “Meu filho (a) não irá passar por isso.”
Os super pais que não querem ver seus filhos sofrer por fim os impedem de crescer. O ninho que deveria ser abandonado se mantêm preservado. A criança que ganha sua cama, sempre da um jeito de ficar na dos pais, o pai ou a mãe “é meu, minha”. O outro se torna rival, rival do primeiro amor com a mãe ou com o pai.
Isso que descrevo são movimentos esperados de acordo com o desenvolvimento, porém sempre fica a questão quanto a passagem por esta fase, quando a criança entende que a mãe é do pai ou que o pai é da mãe e que a ele ou ela ficam as outras mulheres ou outros homens.
Por: Alessandro Adami – Psicólogo Clínico

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