Fator supersafra: Os velhos erros e os desafios para o futuro

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31 de agosto de 2017 • Destaque, Rural • Visualizações: 302

O Brasil produziu um volume recorde de grãos, o que é motivo de comemoração, mas como consequência disso, mais uma vez foi percebido que alguns aspectos estruturais foram pouco planejados, enquanto a produção agrícola do país cresceu de maneira extraordinária.
Nos últimos anos, o Brasil deu um enorme salto na produção agrícola. Os avanços que a pesquisa agrícola trouxe, com mais recursos tecnológicos disponíveis, com aporte financeiro para o custeio das atividades, além de uma série de outros fatores, fez com que a produção brasileira atingisse um elevado patamar. Em números, a produção agrícola saltou dos 29 milhões de toneladas em 1970, para mais de 241 milhões, na safra 2016/2017, enquanto que a área cultivada pouco mais do que dobrou. A agricultura brasileira cresceu, se desenvolveu e ganhou espaço nos mercados do mundo inteiro. A produtividade supera expectativas, ano após ano, e cada vez mais faz com que os olhares do mundo se voltem para nosso país.
Atualmente o Brasil é o segundo maior produtor e exportador de soja do mundo. No milho, temos a terceira posição na produção, enquanto somos o segundo maior exportador do mundo, por exemplo. Mas, nosso país se preparou para o crescimento da produtividade, principalmente para armazená-la corretamente e para escoar, com eficiência e baixo custo, a produção para os polos exportadores e de consumo?
A resposta infelizmente é não.
O Brasil, no decorrer dos anos, vem enfrentando muitas dificuldades para armazenar a crescente produção de grãos. De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil tem capacidade para armazenar apenas cerca de 160 milhões de toneladas – algo bem inferior aos mais de 240 milhões de toneladas, que é a estimativa de produção da safra 2016/2017. Assim sendo, mais de 80 milhões de toneladas ficarão ao ar livre, ao tempo, o que pode comprometer severamente a qualidade. Quando observada a recomendação da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), o Brasil necessitaria ampliar com urgência a capacidade de armazenagem em, no mínimo 120 milhões de toneladas, visto que a recomendação é que cada país tenha capacidade para armazenar 1,2 vezes a sua produção agrícola anual. Mas, ainda estamos muito longe disso.
Plantando, chega a hora em que é necessária a colheita. Colhendo, a armazenagem que apresenta desafios cada vez maiores, é o próximo passo e, na sequência disso, é necessário escoar a produção para a exportação e para os principais polos consumidores. É nessa etapa que também surgem dificuldades enormes, e que demonstram, cada vez mais, que o Brasil não soube organizar o crescimento, tendo pecado na falta de planejamento na infraestrutura logística, o que tem sido, já há muito tempo, um verdadeiro gol contra.
Nessa etapa são encontradas dificuldades de toda ordem, desde o “custo Brasil”, leis e normas ultrapassadas ou desatualizadas, insegurança jurídica ocasionada por estas mesmas leis e falta de gestão pública nas instituições envolvidas no escoamento das safras, são nossos grandes problemas.
São incontáveis os desafios em todo o setor agrícola, nas mais diferentes atividades relacionadas com este. O que nos falta é planejamento, é organização e a compreensão de que a produção agrícola atravessa um longo caminho, do campo até a mesa, e que todo esse caminho deve ser englobado num amplo e inclusivo planejamento para que possamos competir com rentabilidade e eficiência.

Por: Cristino Bianchini – Jornalista

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