Mãe e filha de Marau são recuperadas de Covid-19

30 de abril de 2020 • Cidades, Destaque, Marau, Passo Fundo, Saúde • Visualizações: 884

Por mais de quinze dias o coronavírus assolou a família Benedetti de forma acentuada. Assunta Benedetti, de 69 anos e sua filha, Margarete Benedetti Longo, de 41 anos foram diagnosticadas com Covid-19 e ficaram internadas em diferentes hospitais de Passo Fundo. Felizmente, ambas já retornaram para suas casas e estão recuperadas, mas, até o momento, não sabem exatamente como se contaminaram com a doença.

Margarete comenta que teve sintomas leves, como dor no corpo, sensação de cansaço e febre, mas não muito alta. “Eu acabei começando a tomar medicamentos, calmantes e começou a me dar náuseas e vômitos e achei que a piora fosse em decorrência dos remédios”, explica.

Uma semana se passou até que ela fosse procurar atendimento médico na própria cidade, sendo diagnosticada com uma virose, mas como os sintomas foram agravados, procurou auxílio novamente e no dia seguinte foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Clínicas de Passo Fundo (HC) já com suspeita de Covid-19. Cinco dias após a internação, veio o resultado positivo. “Quando fui para lá eu ainda tinha esperança de ter sido pneumonia ou alguma outra coisa. Mas por estar me sentindo tão mal, com tanta falta de ar, eu já desconfiei que realmente podia ser. É uma sensação que não é normal só de uma gripe”, diz.

Assunta havia sido internada antes mesmo da filha também precisar de atendimento. Foram 18 dias para a mãe, que estava no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) e 16 dias para Margarete, no HC.

“A sensação que você tem é vai morrer por falta de ar mesmo, sente que se você dormir e vai apagar. Afeta o teu emocional, a tua cabeça, afeta tudo, na verdade”, comenta Margarete.

A transmissão ocorreu na própria cidade, pois nenhuma das duas havia viajado. Margarete possui um comércio em Marau e acredita que tenha sido infectada antes do início do isolamento, pois começou a ter os sintomas dias após o fechamento das lojas no município. No entanto, pela mãe também ter passado pela mesma situação, ambas não sabem como se contaminaram com a doença. “Agora estou me cuidando e retomando a vida, porque foram dias difíceis”, conta.

Ela destaca que nos dias que ficou na UTI, a família apenas tinha notícias dela uma vez por dia, através do boletim médico. “As minhas irmãs me relatam que todos estavam sem chão, ninguém dormia, ninguém comia, ninguém falava, todo mundo só chorava. Naquela angústia, naquela ansiedade de saber se íamos reagir”, afirma. Após uma semana, os funcionários do hospital em que estava, já com a melhora de Margarete, tiveram a ideia de fazer vídeo chamadas por tablet entre ela e os familiares. Ela relata que “uma pessoa responsável trazia todas as tardes e tinha um tempinho pra gente conversar. Aí começou a mudar muito, porque além de eu conseguir conversar com a minha família, eles conseguiam ver que eu realmente estava melhorando. Foi uma luz no fim do túnel naquelas alturas, definitivamente”.

Essa é uma das questões que fazem a empresária ser eternamente grata a todos que ajudaram no seu tratamento, como ela destaca.

“Eles foram muito além de profissionais, foram parceiros, a gente criou amizades, se criou uma família lá dentro. Algumas enfermeiras até me levaram um shampoo pra tomar banho, uma escova para escovar os dentes, foi uma parceria muito grande”, lembra.

Margarete saiu do hospital dia 15 de abril e seu marido e filha foram buscá-la. “A gente ainda não se abraçava, mas só no olhar já disse tudo. A satisfação de se ver, de estar indo pra casa, foi muito emocionante. A gente cresce também nas dificuldades porque a gente valoriza mais a vida, os amigos, quem está sempre por perto. Eu saí de lá com uma nova cabeça, um novo olhar”, ponta. Ela ressalta que agora, além de se recuperar totalmente, espera que essa situação acabe logo, no mundo todo e possa também retomar sua vida de antes, mas com a diferença de saber valorizar mais cada momento.

Margarete reforça “Existe cura sim quem tiver algum sintoma eu digo pra que procure atendimento e faça os exames o quanto antes”, finaliza.

Por: Aline Prestes/Diário da Manhã

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